Nossa entrevistada é Luana Barbosa, de 29 anos, natural de Varginha – MG. Formada em Ciência e Economia hoje se dedica a Honoré Doces Finos empresa fundada por ela em 2015.

Conte-nos um pouco da sua história?

A chocolataria me foi apresentada por volta dos 16 anos, na época eu queria começar a ter meu próprio dinheiro, e como minha escola era de tempo integral, eu não conseguiria fazer um estágio sem ter que abrir mãos das aulas vespertinas.

Uma conhecida me convidou para fazer o curso, era desses demonstrativos, 2 horas de aula. Foi o suficiente para despertar a chocolateira/confeiteira que habitava em mim e estava adormecida. Desse momento em diante comecei a pesquisar cada vez mais e fazer o que podia de acordo com as condições que eu tinha (espaço, material e conhecimento).

Comecei a vender bombons na escola. Ali eu vi que tinha uma veia empreendedora e uma paixão pelos doces, mas não tinha condições financeiras o suficiente para bancar um curso na área. Por alguns meses deixei os bombons, me formei no ensino médio e ingressei no ensino superior.

Voltei a vender bombons, na faculdade. Não me lembro exatamente como, mas resolvi montar uma pequena confeitaria, era época de páscoa. As vendas foram um sucesso, em 15 dias já tinha vendido o suficiente para cobrir os custos fixos do mês. O que entra-se, dali em diante, seria lucro e usado para investir em melhorias, mas devido a uma sociedade mal feita e desleal. Fechamos.

Depois dessa decepção, decidi que não trabalharia mais com doces e nem com sociedade. Terminei os estudos na faculdade, fiz pós graduação em Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas, e fui dar aula no curso técnico de uma faculdade privada na cidade.

Não estava feliz na profissão. Depois de muito pensar, voltei a fazer doces e a divulgar meu trabalho nas redes sociais. Descobri o mercado de casamentos! Que sonho poder fazer parte de sonhos!

Procurei me especializar e conhecer o mercado a fundo. Por 2 anos fiz parte de alguns sonhos em Varginha, mas eu queria mais. Queria poder trabalhar com produtos de grande qualidade, refinar minhas técnicas, coisa que não seria possível se tivesse continuado por lá.

Foi então que, dentre tantas outras coisas que mudaram na minha vida, em outubro de 2017 me mudei para São Paulo. Tive que começar tudo do zero. Não conhecia quase ninguém da área de eventos por aqui. Foi tudo na cara e coragem.

Tive que aprender a lidar com a insegurança, medo, falta de dinheiro, a ter jogo de cintura e principalmente força.

Aos pouquinhos fui fazendo parcerias e conhecendo verdadeiros anjos que me ajudaram e ajudam a trilhar meu caminho por aqui. Finalmente pude fazer cursos presenciais, aqui em São Paulo, com pessoas de destaque no mundo da confeitaria e na Suíça. Procuro sempre melhorar minhas técnicas e receitas, é um aprendizado constante.

Ainda não cheguei onde gostaria, mas as metas já estão traçadas e aos pouquinhos vou caminhando.

Como e/ou porque você decidiu trabalhar por conta própria?

Eu percebi que não me encaixava no formato considerado “padrão” de trabalho. A rotina, no meu ponto de vista, robótica, monótona e engessada de um trabalho convencional me incomodava. Sempre quis ser independente, e o fato de ser subordinada a alguém nunca me agradou.

Como é a sua rotina de trabalho?

Hoje eu faço meu horário. Organizo a semana de trabalho de acordo com a demanda de encomendas. Às vezes trabalho de 10 a 12 horas seguidas, em outras, apenas 4 horas diárias. Consigo saber previamente qual será a carga horária diária da semana e qual margem de tempo sobrando terei caso aconteça algum imprevisto ou pedido de última hora.

Qual foi a sua maior dificuldade?

Acredito que foi recomeçar um negócio que estava caminhando para a consolidação em Varginha. Já estava conhecida na região e com uma cartela de clientes fiéis. Mudei para São Paulo em outubro de 2017 e tive que recomeçar do zero. Precisei entender e me adaptar ao mercado.

Como o seu mercado mudou desde que você começou?

A confeitaria há 5 anos atrás, não tinha essa divulgação e audiência toda que tem hoje. Hoje existe muito material gratuito disponível, o que facilita até para quem está começando. Quando comecei não tinha isso, praticamente tudo era pago e nem sempre de fácil acesso.

O mercado de eventos está sempre mudando, é preciso ir acompanhando as tendências na medida do possível, mas sem perder a nossa essência.

Olhando para trás o que você faria diferente?

Repensaria algumas “parcerias”. Levei um tempo para entender que nem todos queriam promover meu trabalho, queriam apenas adquirir doces de forma gratuita e sem me dar retorno algum. Muitas das vezes não existiam trocas, era uma parceria unilateral, mas isso eu só descobria depois do evento passar.

O que você mais gosta no seu trabalho?

De ver uma mesa de doces pronta e saber que fiz parte da realização de um sonho. Costumo dizer que meu papel é entregar todo o afeto e carinho que meus clientes têm pelos convidados, através dos meus doces e de minhas mãos.

Quais seus planos para o futuro do seu negócio ou de sua carreira?

O próximo passo é montar um ateliê (atualmente trabalho em casa) e ter uma sala só para atendimentos e degustações. O contato frente a frente com o cliente é muito importante, ele gera conexão e mais confiança.

Um conselho para quem deseja trabalhar com confeitaria?

Estude! Nunca deixe de aprender, de ser curioso, de buscar o novo, jamais pense que já sabe tudo ou que não há algo que precise ser melhorado. Seja persistente, honesto com você e com seu cliente, e acima de tudo, acredite no seu potencial.